terça-feira, 29 de dezembro de 2009

NATUREZA DE VIDA E CANTO


Neste tranquito que a lo largo sou estrada
Levo os meus sonhos nesta ânsia de andar
Pelos caminhos que escolhi e me mantenho
Porque eu venho de um santo e bom lugar

Venho do campo, dos açudes e lonjuras
Das águas puras, dos arroios e vertentes
Onde o cavalo, o guarda-fogo e as enxadas
Fazem quarteadas relicárias de sua gente

Onde a vergonha tem morada e faz mais forte
Há de bom porte amizade entre os senhores
Onde o romance da tardinha dá mais sorte
E é suporte pra quem vive seus amores

Nas casas grandes com sacadas nas varandas
Dançam cirandas as folhagens e as crianças
E os meus dias têm mais vida e anoitecem
Quando uma prece faz mais viva as esperanças

O amanhecer traz o perfume e o vigor
Para o labor que planta o pão e serve a mesa
Onde se vê que o supremo criador
Fez seu amor e deu o nome natureza


(Jairo Lambarí Fernandes)


domingo, 20 de dezembro de 2009

FELIZ NATAL!

Natal Galponeiro

A cuia do chimarrão,
É o cálice do ritual,
E o galpão é a Catedral
Maior da terra pampeana,
Que de luzes se engalana,
Para esperar o NATAL.

A cuia aquece na palma
Da mão da indiada campeira,
Dentro da sua maneira,
Rezando e chairando a alma,
Para recuperar a calma,
Que fugiu do mundo inteiro.
Enquanto o estrelão viajeiro,
Já vem rasgando caminho,
para anunciar o "Piazinho",
A Virgem e o Carpinteiro.

Em nome do Pai,
- Do Filho e do Espírito Santo,
É o chimarrão que levanto,
E o vento faz estribilho,
A prece do andarilho,
Ao Piazito Salvador,
Filho de Nosso Senhor,
Do Espírito e do Pai,
De volta a terra aonde vai,
Falar de novo em amor!

Tem sido assim - dois mil anos,
Ninguém sabe - mais ou menos,
Vem conviver com os pequenos,
De todos os meridianos,
E repetir aos humanos,
As preces de bem querer.
Quem sabe até - pode ser,
Que um dia seja atendido,
E o mundo velho perdido,
Encontre paz para viver.

Ele sabe da apertura,
Em que vive o pobrerio,
A fome - a miséria - o frio,
Porque passa a criatura,
Mas que - inda restam - ternura,
Amizade e esperança,
É que pode, a cada andança,
Mesmo nos ranchos sem pão,
Aliviar o coração,
Num sorriso de criança!

Pra mim - que ouvi na missões,
Causos de campo e rodeio,
Do "Negro do Pastoreio",
Cruzando pelos rincões,
Das lendas de assombrações,
E cobras queimando luz.
Foste - Menino Jesus,
O meu sinuelo de fé,
Juntando ao índio Sepé,
O Nazareno da Cruz!

E a Santa Virgem Maria,
Madrinha dos que não tem,
Fez parte - sempre - também,
Da minha filosofia,
Eu que fiz de Sacristia,
Os ranchos de chão batido,
E que hoje - encanecido,
Sou sempre o mesmo guri,
A bendizer por aí,
O pago que fui parido!

E o Nazareno que vem,
Das bandas de Nazaré,
Chasque divino da fé,
Rastreando a luz de Belém,
Ele que vai morrer também,
Pra cumprir as profecias.
É Natal - nasce o MESSIAS,
Salve o Menino Jesus!
Mas o que fogem da luz,
O matam todos os dias.

Presentes - "Papais Noéis",
Um ano esperando um dia,
Quando a grande maioria,
Sofre destinos cruéis.
O amor pesado a "mil-réis",
E mortos vivos que andam,
Instituições que desandam,
Porque esqueceram JESUS,
O que precisa, é mais luz,
No coração dos que mandam!

Que os anjos digam amém,
Para completar a prece,
Do gaúcho que conhece,
As manhas que o tigre tem.
Não jogo nenhum vintém,
Mesmo sendo carpeteiro,
Mas rezo um Te-Déum campeiro,
Nessa Catedral selvagem,
Pra que faça Boa Viagem,
O enteado do Carpinteiro!

(Jayme Caetano Braun)

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Romance de Outro Mariano



Depois das luas Rosa Flor mimava um piá
De olhos calmos, bem querer e olhar risonho
se o tempo moço tinha espera pra lhes dar
Então a vida lhe entregou bem mais que um sonho

Outro Mariano pra encilhar junto com o pai
seu peticinho baio ruano e bom de patas
Era um campeiro mal calcando o pé no estribo
de boina negra, de bombacha e alpargata


Mariano Luna lhe ensinava o jeito certo
de encilhar, firmar nas rédeas e sujeitar
Ia contando ao piazito sobre a vida
E o que ela tinha de bom pra ofertar

Pela ansiedade Rosa Flor era um sorriso
Que se perdia entre as flores da janela
Depois de um mate a mesma cena repetiu-se
E os dois Marianos acenaram na cancela

Mariano Luna ai ao passo no seu baio
E o peticinho rédea atada que obedece
Outro Mariano que aprendia ser do campo
Pequeno mundo bem maior do que parece

E Rosa Flor então sabia nos seus mates
Que era o tempo cruzar poucas primaveras
Que o guri ia também encilhar baios
Porque a vida é um ciclo eterno de espera

Mais uma vez a estrada foi e despedia
Pois pra quem fica uma manhã é a vida inteira
E os dois Mariano já voltavam do potreiro
Pra Rosa Flor e sua saudade costumeira

Então o rancho agora em três é bem maior
Bombachas grande e pequenas no varal
Só o silêncio nunca mais foi o mesmo
Pra um romance que jamais terá final


Jairo Lambari Fernandes

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Pai meu coração está contigo, tu vai sair dessa...
Tenha força.. tu sempre foi forte. Aprendi e tenho muito o que aprender contigo!
Fica bem Pai... preciso de ti!
Respira!!!
TE AMO.
Deus está contigo!

Thais Flores

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Galpando sin apuro



Galpando sin apuro,
yo voy cruzando mi vida
con la vista dirigida
hacia un rumbo bien seguro.
Pa'mí no hay días oscuros
por más que se enlute el cielo,
nada detiene mi vuelo
porque tengo la prudencia
de respetar la conciencia
de ser hijo de este suelo.

Si tengo mirada altiva,
créanme, no es de soberbio;
pues no dejo que mis nervios
me dominen mientras viva.
A veces trago saliva
y me hago el desentendido;
en la huella yo he aprendido
que no gana el que más grita:
mas no siempre aquél que invita
me corre en un real envido.

Defe'tos debo tener
como cualisquier humano;
pero rispeto, paisano,
al hombre y a la mujer.
Ya de mi madre al nacer
recibí esta condición,
la sesera y la razón
se hacen daga en mi cintura:
que es el arma más segura
que puede usar un varón.

Soy cantor y no pretendo,
hecharlas de consejero;
sólo con tino y esmero
cuido lo que voy diciendo.
Que la vida se va llendo
es una ley bien sabida,
todo tiene una medida
y es al ñudo hacerse el duro:
galopando sin apuro
yo voy cruzando mi vida.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Um Mate Por Ti



Na bomba do mate ficaram teus lábios

E o gosto maduro de mel de mirim

E se não mateio depois que partiste

É que ando triste perdido de ti


A bomba é uma pomba de penas cansadas

E a cuia morena seu ninho vazio

E agora que foste chegou o inverno

E as águas do mate tiritam de frio


Às vezes teus lábios recordam os beijos

Que a bomba trazia de ti para mim

E o mate de ontem me lembra tudo

Que é doce a princípio se amarga no fim


Por outras me indago se não vale a pena

Trocar um capricho por um chimarrão

Tomar mais um mate por ti que levaste

Meus restos de doce da palma da mão

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Mas queee momento!

"Quiero rastrear un recuerdo
pa'l sur, pa'l norte, no se,
que duro tiempo he vivido,
que larga noche pasé...

Voy a rastrear un recuerdo,
pa'l sur, pa'l norte, no sé."

"ATAHUALPA YUPANQUI - Vengo a buscar mi caballo"

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Huella Triste


Que yo les cuente mis penas
me piden de tarde en tarde.
Si en ellas está mi fuerza
déjenme que me las calle.

Voy anclando por el mundo
Camino de cualquier parte.
Llena de piedras la senda,
lleno de sueños el aire.

La vida es un lazo largo
estira'o sobre la tierra.
En una punta una dicha,
y en la otra punta una pena

Así va mi corazón
lleno de sueños y ausencias,
sin encontrar su querencia
perdido en la cerrazón.

No se ve la Cruz del Sur
en las noches de tormenta.
Hay que mirar dentro de uno
para encontrarla a la huella.

Cuando me cansa el camino
me pongo a mirar p'adentro
como quien arrima leñas
al fogón de unos recuerdos.


Atahualpa Yupanqui

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Coisas que não sinto, sentindo

Meu sorriso se fechou, minha voz se calou e os meus sentimentos pegaram a estrada antes de mim. É estranho sentir e não sentir, tentar saber sem querer saber de nada! A pele macia que hoje sinto arranhar a minha alma. Queria poder saber quem é de verdade e quem é de mentira, o que eu vejo e o que é apenas sonho. Cada parte dói, incomoda. Aos poucos tudo vai indo embora e fica só a solidão que eu nunca quis. Esse silêncio que enlouquece, quando vai acabar? Quando vou poder te ouvir? Um cansaço vem chegando bem perto, vem sorrindo e me chamando pra dançar. Não quero dançar, a música é chata! Quando a música for legal você fará parte dela e não terei ninguém para me fazer voar pelo salão. Quero comer água! Qual é o gosto que eu não senti? O gosto amargo daquele docinho que comi ao seu lado nunca mais saiu da minha boca! A minha respiração acelera e fica lenta quase parando. É um vai e volta constante. Posso saber por que só não vai? É o caminho inevitável, não fique no meio pode me atrapalhar! Essa cor ofusca a minha visão, preto! Esse chamado eu não quero e não vou atender. Quero atender só o teu. Estou em um momento de birra. Uma birra de criança com a certeza de uma mulher. Cadê essa mulher que não chega? Já está atrasada. Meus olhos se fecham e os meus pensamentos dormem.

Thais Flores

sexta-feira, 16 de outubro de 2009


"Por eso te cuido, te extraño, te nombra mi canción,
Por eso te apaño con mis manos de algodón.
Que nada ni nadie pueda hacerte daño,
Te pongo de escudo el parche de mi corazón."

(Agua, Fuego, Tierra Y Viento - Mercedes Sosa)

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

LUTO (eterno?)

A memória é o único jeito de driblar a morte. Primo, estará pra sempre na minha memória... no meu coração!


Ainda não consigo escrever, mas queria entender o por que de ter sido VOCÊ.
Até Deus te queria por perto!
É a maior e mais doída lição da minha vida!

Te amo, apesar da distância que sempre nos aproximou tanto!


Sorriso, choro!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Entender...

Como está difícil, sempre mais. Há poucos dias eu tinha você aqui, do lado. E hoje, justo hoje, eu não sei onde te procurar. Teu sorriso, teu olhar, não sei mais como sentir. Sinto saudades de alguma coisa que eu não sei mais o que é. Às vezes é tão fácil descrever o que eu penso, mas a cada dia se torna mais escuro e confuso. Não sei o que desejo, o que te desejo! Agora sinto as lágrimas no meu rosto e sei que sentes também, isso me deixa ainda mais confusa. Já que sabes que estou assim, aqui, por que não vem?! Por que não vem me dar ao menos o teu ombro pra chorar?! Cadê você?! Preciso te encontrar, está tão perto. Aquele conforto é o que eu não esqueço. Tua pele, o teu carinho, a tua voz. Me perseguem a cada passo que tento ir para longe de ti buscando chegar o mais próximo de tudo o que preciso em ti. Queria tua mão para poder segurar agora e não perder o chão. Consegui chorar.

domingo, 4 de outubro de 2009

Vientos Del Alma


Yo soy la noche, la mañana
Yo soy el fuego, fuego en la oscuridad
Soy pachamama, soy tu verdad
Yo soy el canto, viento de la libertad

Vientos del alma envueltos en llamas
Suenan las voces de la quebrada
Traigo la tierra en mil colores
Como un racimo lleno de flores
Traigo la luna con su rocío
Traigo palabras con el sonido y luz de tu destino

Yo soy la noche, la mañana
Yo soy el fuego, fuego en la oscuridad
Soy pachamama, soy tu verdad
Yo soy el canto, viento de la libertad
Yo soy el cielo, la inmensidad
Yo soy la tierra, madre de la eternidad
Soy pachamama, soy tu verdad
Yo soy el canto, viento de la libertad

Hoy vuelvo en coplas a tu camino
Juntando eco de torbellinos
Traigo las huellas de los amores
Antigua raza y rostro de cobre
Traigo la luna con su rocío
Traigo palabras con el sonido y luz de tu destino

Yo soy la noche, la mañana
Yo soy el fuego, fuego en la oscuridad
Soy pachamama, soy tu verdad
Yo soy el canto, viento de la libertad
Yo soy el cielo, la inmensidad
Yo soy la tierra, madre de la eternidad
Soy pachamama, soy tu verdad
Yo soy el canto, viento de la libertad

Yo soy la noche, la mañana
Yo soy el fuego, fuego en la oscuridad
Soy pachamama, soy tu verdad
Yo soy el canto, viento de la libertad
Yo soy el cielo, la inmensidad
Yo soy la tierra, madre de la eternidad
Soy pachamama, soy tu verdad
Yo soy el canto, viento de la libertad


(Mercedes Sosa)


Mercedes Sosa vaya con Dios!

terça-feira, 29 de setembro de 2009




Estranheza. Vazio. Cheio. Convencional.
Sentir o que eu não sinto!

"...debajo de un cielo azul con los sueños por delante..."

.


sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Mi Verdad

Pocas veces te he dicho
cuanto te quiero, cuanto te amo,
me cuesta tanto que el corazón
tenga libertad.

Fríos los pensamientos
que me dominan los sentimientos,
y muero tanto si no te tengo,
porque será.

Hay que será
si tu no estas.

Hoy más que nunca quiero
serte sincera, sacar afuera
todo lo que me quema por dentro,
que es mi verdad.

Hoy más que nunca quiero
tenerte cerca, abrirte la puerta,
para que sepas que no soy nadie,
si tu no estas.

Era yo un fuego tenue,
que no alumbraba, que no quemaba,
me diste tanta luz en el alma
me diste paz.

Tu marca esta en mi cara,
distinta tengo ya la mirada,
y aunque no soy muy demostrativa,
sonrío más.

Hay que será
si tu no estas.


(Soledad Pastorutti)

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Chimarrão





Bebo sorvos amargos do teu trago
E me adoças a boca, chimarrão
És amargos e caliente como o beijo da china que deixou o meu rancho
Na bomba emocional dos teus lábios
Houve um final de combate
Apertei-a como a cuia entre as mãos
Então bebi o meu ultimo mate
E vi logo no tição dos teus olhos
Uma cambona derramar-se em lágrimas
Senti então meu coração em soluços
Quando ela sumiu-se na curva da estrada
Também chimarrão, tu soluças
Quando a água termina
Por isso eu bebo amargura em teu trago
E me adoças a boca chimarrão
Chimarrão...

Na bomba emocional dos teus lábios
Houve um final de combate
Apertei-a como a cuia entre as mãos
Então bebi o meu ultimo mate
E vi logo no tição dos teus olhos
Uma cambona derramar-se em lágrimas
Senti então meu coração em soluços
Quando ela sumiu-se na curva da estrada
Também, chimarrão, tu soluças
Quando a água termina
Por isso eu bebo amargura em teu trago
E me adoças a boca chimarrão
Chimarrão...

(Cesar Oliveira)

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Brindis

Seguir siguiendo al corazón
y coquetear con la intuición
seguir creciendo y esquivando las rutinas
seguir soñando en un rincón
seguir creyendo que hay un Dios
que me endereza de un tirón la puntería
siempre voy detrás de lo que siento
cada tanto muero

y aquí estoy...

tantos desiertos que crucé
tantos atajos esquivé
tantas batallas que pintaron mis heridas

tantos incendios provoqué
tantos fracasos me probé
que no me explico como canto todavía

y es que siempre voy detrás de lo que siento
cada tanto muero
y aquí estoy...

por esos días por venir
por este brindis para mí
por regalarle a la intuición el alma mía

porque los días se nos van
quiero cantar hasta el final
por otra noche como esta doy mi vida

tantos festejos resigné
tantos amigos extrañé
tantos domingos muy lejos de mi familia

tantas almohadas conocí
tantas canciones me aprendí
que los recuerdos me parecen de otras vidas
siempre voy detrás de lo que siento
cada tanto muero
y aquí estoy...

tantas palizas esquivé
tantas traiciones me compré
tantos enojos me hicieron mostrar los dientes

con mil abrazos me cuidé
con mil amores me curé
juntando heridas sigo creyendo en la gente
siempre voy detrás de lo que siento
cada tanto muero

pero hoy no...

por esos días por venir
por este brindis para mí
por regalarle a la intuición el alma mía

porque los días se nos van
quiero cantar hasta el final
por otra noche como esta doy mi vida

por esos días por venir...

y en esas noches de luna
donde los recuerdos son puñal
me abrazo a mi guitarra
y canto fuerte mis plegarias
y algo pasa, pero ya nada me hace llorar

yo me abrazo a mi guitarra
y canto fuerte mis plegarias
y algo pasa, pero ya nada me va a cambiar
por esos días por venir...

(soledad Pastorutti)

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Cantare

Cantare

Yo quiero amarte así bajo la luna
hacer esta canción con tu figura.
Yo quiero amarte para no olvidarte
de tanta muerte que hay por todas partes.

Quisiera mezclar todos los colores.
Quisiera oler con todos los olores.
Quisiera ser la piel de un semejante,
con él decirle al odio ya es bastante

Yo quiero amarte para que me entiendas,
el riesgo de perder la primavera.
Yo quiero amarte y que nunca descanses,
de ver por dentro y lo que está a tu alcance

Quisiera adormecerme entre tus brazos,
pero sería una manera de salvarme.
Quisiera no tener la indiferencia,
cuando precises que vaya a buscarte.

Cantaré y cantando
nunca dejaré de amarte.
Cantaré y cantando
Nunca dejaré de amarte.

Yo quiero amarte con pocas palabras
mirarte y saber que hay una esperanza.
Si recorremos juntos este invierno
tal vez podamos encontrar el cielo.

Y loca gritaré en el universo
si es poco tendré que poner el cuerpo.
Amándonos tendremos mejor vida
tal vez pueda escribir mi mejor verso

Cantaré y cantando
nunca dejaré de amarte.
Cantaré y cantando
nunca dejaré de amarte.



Soledade Pastorutti

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Raúl Quiroga, Nina França e Americanto




Sem comentários!!!
Meu orgulhinho!!! (L)

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Pouco me importa...

Ou importa? não sei! Não sei mais o que eu tenho que falar, o que eu tenho que sentir, até onde eu posso ir. Só sei que preciso ir. Preciso ir sentir o vento, só o vento, passando por mim. Preciso ver o que só eu consigo ver.
Egoísmo nem sempre é ruim. Hoje, consigo saber quem sou, ou não. Consigo me sentir tão certa e tão confusa. O mundo gira e só o que eu queria é que ele estivesse parado pra eu poder viver cada segundo de tudo isso que eu não tenho a mínima conciência do que é.
Existe uma agitação em mim, a agitação mais calma e serena que já pude sentir. Existe o amor mais puro misturado com a raiva mais amarga de todas. Eu me sinto na escuridão mais clara que os meus olhos podem ver.
Quero poder chorar desesperadamente de felicidade. Quero poder rir exageradamente de nervosismo. Quero poder dançar no menor espaço que existe. Quero poder ficar parada em meio a multidão. Quero poder rir da desgraça alheia e sentir dó da falsa felicidade do mundo.
Sinto que sou a mulher mais forte e ao mesmo tempo muito frágil. Frágil perante os fortes e forte perante os fracos. (Covardia. A covardia me assusta!) Sinto vontade de não fazer nada, de não ver, não sentir, não cheirar, não mexer e de não tentar. Sinto vontade de seguir, de ir sem rumo em diereção ao sonho mais real e certo de todos. (Ei, sim, esse mesmo!). Sinto a realidade fantasiada de preto e branco, com a sua face verdadeira refletindo cores.
Vejo flores flutuando e nuvens no chão paradas com o relógio acelerado. Vejo dados redondos e rodas quadradas.
Tenho a dúvida do mundo e a certeza do destino. Tenho a certeza da vida e a dúvida da morte. Tenho a certeza do amor e a dúvida do fim. Tenho o começo, só o começo de um fim que nunca chegará. Tenho o início do que já terminei de viver. Tenho só a certeza do fim que não existe. Tenho só a certeza do eterno que não tem data. Tenho só o teu amor que não procurei e encontrei.
Escuto o som da música que me traz a paz mais confusa e intrigante. Escuto o teu som no meu silêncio mais profundo. Escuto o teu silêncio com a minha alma cantando a canção do nosso amor.
Te procuro e te acho, ao contrário de tudo. A certeza, a única certeza. O único sentimento que eu sei que sinto agora. O único destino que me leva pra qualquer lugar, por qualquer caminho!
É amor?! Pouco me importa.. ou importa! É a única coisa que eu sei e disfarço não saber. Eu amo.

Thais Flores

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Razón

No solamente
se vive por el tiempo
No nace el día
tan solo por el sol.

La flor no aroma
los prados ni la brisa
Todo es en vano
si no tienes amor.

La noche azota
y la paloma muere
Sucumbe el beso
y llora el derredor.

La mano tiembla
y la canción se ahoga
Y ha sido en vano
si no tienes amor.

Abre los ojos hombre
siente que sientes dolor,
despierta el alba
y ablanda el pensamiento
todo es motivo
si empuñas la verdad
el tiempo nutre
la luz de su mira
solo en la gloria
de amor y voluntad
el tiempo nutre
a luz de su mira
solo en la gloria
de amor y voluntad...
de amor y voluntad...


(José Lerralde)

sábado, 15 de agosto de 2009

Alma, corazón y vida

"Recuerdo aquella vez
que yo te conocí
recuerdo aquella tarde
pero no recuerdo ni cuando te vi.
Pero si te diré
que yo me enamoré
de tus hermosos ojos
y tus labios rojos que no olvidaré.

Toma esta canción que lleva
alma, corazón y vida
esas tres cositas nada más te doy
como no tengo fortuna
esas tres cosas te ofrezco
alma, corazón y vida y nada más.
Alma para conquistarte,
corazón para quererte
y vida para vivirla junto a ti

Amor, amor."

(Soledad Pastorutti)

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Y vivo pensando en ella.

El sol en un rojo ardía
todo el oeste encendido,
y las aves a su nido
rumbeaban, muriendo el día.
Iba yo en mi fantasía
con mis albores de aprontes,
disfrutando de los montes
lo más raro de sus trinos,
con una se'de caminos
buscando otros horizontes.

Llevaba recuerdos de ella
envuelto en mi sentimiento,
pero iba en mi pensamiento
otro sueño y otra güeya.
Me encandilaba otra estrella
vislumbrando otro lucero,
otro rumbo, otro sendero,
sé'de distancia tenía;
y por mis venas corría
el mundo del guitarrero.

Mientras que dejo por esos
caminos viejos agravios,
van añorando mis labios
todos sus ardientes besos.
Miles pensamientos presos
se me quedan desvelados,
y los recuerdos clavados
en su melena nochera
se me hace una quimera
de sueños enamorados.

Porque añoro sus encantos,
porque quiero su figura,
sus bondades, su ternura,
sus sonrisas y sus llantos.
Y entre sus recuerdos tantos
días y días de fervores,
que perfumaba colores
de mis horas encantadas,
cuando en mis brazos quedaba
la reina de mis amores.


Se me turba el pensamiento
quedo en el tiempo perdido,
buscando algo parecido
para extasiarme un momento.
A mi guitarra un lamento
le arranco con mi querella,
y aunque es muy linda la güeya
no puedo econtrar olvido,
ando en las noches sumido
y vivo pensando en ella
.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

"Com o tempo a gente esquece que a toalha molhada sobre a cama deixou úmido o lençol recém-trocado e se lembra de como foi delicioso tomar um banho demorado depois do dia mais cansativo da semana, porque a toalha molhada sobre a cama é apenas e tão somente uma toalha molhada sobre a cama. Com o tempo a gente esquece a janela aberta, e a porta fica apenas encostada – e por aí vão entrando novas idéias e saindo posturas viciosas, que é preciso mesmo arejar os ambientes e tirar o mofo da vida. A gente esquece as chaves no bolso e desiste de trancar o riso. E, às vezes, também se esquece de lembrar o próprio nome e passa a se chamar Passarinho, Correnteza ou Ventania. Ou Céu.
Com o tempo a gente esquece a reserva que fez no restaurante e passa a tarde no quintal chupando fruta do pé. Com o tempo a gente se esquece de como é que se fuma, e de como é que se bebe, e respira fundo a sobriedade de estar com a cabeça fresca e o corpo pronto para o que der e vier. A gente esquece que acabou a margarina e que faltou sal no feijão, a gente esquece que adoçou o café com açúcar ao invés de adoçante, a gente esquece que o arroz cozinhou demais – e dá de ombros porque nem dá nada passar um dia sem margarina, e sal demais aumenta a pressão, e comer açúcar uma vez na vida não vai fazer disparar o ponteiro da balança, e qual o problema de comer arroz um pouco mais molinho? Com o tempo a gente se esquece de ligar o celular, a tevê e o computador – e dá vontade de encontrar alguém pra jogar conversa fora ou de ficar em casa com o corpo largado no sofá e os pés sobre a mesa, curtindo um abraço e uma caneca de chocolate quente. A gente esquece o guarda-chuva em cima da mesa da cozinha e vê que bom mesmo é sacar fora os sapatos e se enfiar por entre os pingos d’água, bom mesmo é lavar a alma numa chuva inesperada. A gente esquece o relógio e, sai a pé e vai lá fora viver sem hora pra voltar.
Com o tempo a gente esquece como é que se faz as malas, porque tudo que se pretende é ficar. A gente se esquece de que tudo tem um preço, e quer mais é pagar pra ver. A gente, com o tempo, até esquece que o filme é dublado, e entra no clima da interpretação canastrona da versão aportuguesada porque o filme é o mesmo, e a gente já viu, e vale a pena ver de novo de qualquer jeito porque o John Malkovich está matando a pau ou a Bette Davis nunca esteve tão malvada. Com o tempo a gente se esquece do bicho-papão, do boi da cara preta, da vaca que foi pro brejo e entende que o que era doce está muito longe de acabar. Com o tempo a gente esquece que cresceu e vê que o tempo que passou não faz tanta diferença assim, e que sempre é hora de esquecer muita coisa para lembrar-se do que realmente importa. É que, com o tempo, a gente se lembra da gente. E disso, quando a gente lembra, a gente nunca mais se esquece."

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Sobra tanta falta..

"O céu estava exatamente igual ao meu estado emocional: cinzento, instável e prestes a desaguar. Abri a janela recoberta de poeira na esperança de que a brisa morna da noite pudesse tomar o cômodo e acabar com o incômodo da minha mente. Em vão: o gelo que envolvia o meu coração desde o inverno passado continuou intacto e a minha alma continuou a se debater, agonizando de saudade.
Escancarei as portas e janelas, mas o sabor de asfixia continuou a deixar a minha boca quase tão amarga quanto as promessas, dúvidas e dívidas deixadas por você. Desisti. Fui até o jardim e pude ver a primeira gota de chuva cair e tocar com leveza a minha face. Não demorou muito e aquela gotinha foi seguida por outra e mais outra e mais outra. Estava completamente molhada e finalmente podia sentir o vento gélido tocando o meu corpo, porém não sentia frio. Pelo contrário: pela primeira vez em muitos meses estava me sentindo viva. Foi preciso que o céu desabasse em água para que eu desabafasse em lágrimas.
Lágrimas doces, lágrimas salgadas, lágrimas puras, tristes e felizes. Lágrimas. Simplesmente chorei e esqueci de me culpar pelo sorriso que estampava o meu rosto úmido. Desde quando o amor é racional, afinal? Senti cada músculo doer, senti a falta bater. Falta das conversas no meio da noite, das risadas sonolentas durante as madrugadas do final de semana, dos conselhos, das brincadeiras e dos ciúmes bobos... Falta de tudo e de você todo.
Abri os olhos e acordei bem a tempo de ver uma flor multicolorida desabrochar, virar borboleta e voar. Voou, voou, voou. Subiu, subiu, subiu. Subiu tanto que virou estrela, brilhou tanto que virou o anjo que de lá de cima olha por mim.
Acordei bem a tempo de ver que aquilo não era um sonho."

"Metade de mim te ama, e a outra metade também. E assim sigo aos pedaços sentindo a sua falta por inteiro."

terça-feira, 21 de julho de 2009

Para uma menina com uma flor

"Porque você é uma menina com uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, que aliás você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado.

E porque você é uma menina com uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas estrangeiras. E porque você quando sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre num nicho, mesmo quando põe o cabelo para cima, como uma santa moderna, e anda lento, a fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina com uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der aquela paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo.

E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta mas não concorda porque é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas. E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara– na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que estou brincando. E porque você é uma menina com uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.

E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as outras mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina com uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, "Minha namorada", a fim de que, quando eu morrer, você se por acaso não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse, cantando sem voz aquele pedaço em que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois.

E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora – tão purinha entre as marias-sem-vergonha – a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nestas montanhas recortadas pela mão presciente de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa. E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos – eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão, de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfeitando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações – porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor."

Vinicius de Moraes

sábado, 18 de julho de 2009

Tú sos la china campera

Tú sos la china campera
Que alegra la tierra mía
Sos la dicha de mis días
Sos la criolla verdadera
Sos de mi rancho cumbrera
Alero de mi galpón
Y también sos el horcón
Que sostiene la enramada
Y sos la flor colorada
Del ceibo del cañadón

Sos la fresca madrugada
El alerta del chajá
Cinta de mi chiripáy
mi golilla bordada
bota de potro sobada
cinturón de mi culerosos
mi poncho domingueros
os trenza de mi arriador
rastra de mi tirador
barbijo de mi sombrero

Sos el gancho de mi apero
bocao de mi redomón
Sos chaira de mi facón
Cuando carneo con cuero
Manija de mi talero
Puntera de mi carona
Rodaja de mi llorona
De mi rebenque sotera
De mi guitarra campera
Sos la prima y la bordona

Tú sos el grito del tero
Que viene desde el bañao
Y sos el mango lustrado
De mi facón caronero
Sos el collar de mi arriero
Caldera de mi fogón
Y sos el clavel punzó
De la vincha de mi frente
Y también sos la corriente
Del arroyo juguetón.

Sos el frondoso sauzal
Que con el viento se mece
Sos el rosal que florece
Con el sol primaveral
Sos el verde totoral
En el estero tendido
Sabia que cuida su nido
Desde que el sol se levanta
Sos la aurorita que canta
En el ceibo florecido

Por fin sos china querida
El rumbo de mi destino
Sos el sol en el camino
Del trayecto de mi días
Tú Sos la dicha dormida
Alivio de mi dolor
Sos consuelo de mi amor
Sos la noche, sos el día
Sos la pena y la alegría
Del alma de este cantor.

Liborio Tellechea

Minhas librianas

"Sei que o título é pretencioso — MINHAS mulheres de Libra —, afinal quem sou eu para ter alguma mulher, ainda mais mulheres de Libra, que normalmente são graciosas e lindas além da conta... E acima de tudo sensíveis e independentes. Uma mulher de Libra, lendo essa palavra, MINHAS, não só se sentiria ofendida como me enviaria, mentalmente, desprezo suficiente para eu sofrer pelo resto de minha vida. Se escrevo esta crônica nesse momento, é porque as mulheres de Libra não estão lendo. Tenho certeza disso porque as librianas todas estão envolvidas com seus aniversários, dando conta de preparativos e convidados para as suas festas de aniversário, e sendo felizes na companhia de seus amigos ao invés de lendo crônicas num site de internet. As librianas — não sem razão — estão muito ocupadas no final de setembro, início de outubro, e posso chamar de minhas pelo menos algumas delas, já que elas nem saberão disso. Os amigos da librianas, aqueles que poderiam fofocar sobre a minha pretensão, também estão preparando festas-surpresa para as aniversariantes. Minhas librianas foram apenas três. E se digo "apenas" não é para humilhar os demais homens, que talvez não tenham tido a honra de ter uma libriana sequer. Para falar a verdade, das minhas três librianas, eu tive apenas uma. Librianas são difíceis de conseguir, porque há sempre cinco ou seis homens na fila. São aquelas mulheres de quem um homem pensa: Como posso morrer sem tê-la beijado uma vez sequer? E, tendo-a beijado, como morrer sem estar ao lado dela, feliz até o fim? Quem já teve uma libriana e não tem mais — meu caso — é porque não sabe o que é bom. Ou então porque teve uma libriana quando ainda era muito novo — minha desculpa —, e não sabia o tesouro que tinha ao alcance das mãos e dos lábios.Quem conversa com uma libriana tem a sensação de que está conversando com uma das pessoas mais inteligentes do mundo; e, quando acaba a conversa, tem a certeza de que está tocando, beijando, transando com a mulher mais potente e amorosa do mundo. Das minhas librianas que não tive, uma tinha o poder de se transformar numa imagem de Nossa Senhora com Menino Jesus no colo, e de transformar a mim num monge contemplativo. A outra me fazia crer que eu a fazia subir pelas paredes, quando ela é que girava meu mundo e transformava teto em chão. De vez em quando, vejo as minhas librianas que eu nunca tive por aí, ao lado de outros homens felizardos. Já passei da fase da inveja, já não considero mais tais homens pouco merecedores de uma libriana. As librianas também têm o dom de tornar os seus homens melhores, a ponto de eles se tornarem merecedores do amor delas.Minha única libriana que tive um dia, só a vi uma vez depois de tê-la perdido, casualmente, num shopping. De vez em quando — agora, por exemplo —, paro e penso que aquela pode ter sido a última vez que a vi. E o que eu disse? Um boa-noite, um como vai?Como posso morrer tendo dito tão pouco? A última coisa que se deve dizer a uma libriana é "eu te amo, sempre te amei, e sempre te amarei". E se ela disser "eu também", não haverá mais crônicas a serem escritas no final de setembro, início de outubro. A vida com uma libriana deixa pouco tempo para a literatura."

por Eduardo Loureiro Jr.